# O Manual de Aristóteles de Como Viver Bem

El Nardo de Sudamérica

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2026-06-24T01:09:14Z

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“ 𝕊𝕠𝕞𝕠𝕤 𝕒𝕢𝕦𝕚𝕝𝕠 𝕢𝕦𝕖 𝕣𝕖𝕡𝕖𝕥𝕚𝕕𝕒𝕞𝕖𝕟𝕥𝕖 𝕗𝕒𝕫𝕖𝕞𝕠𝕤, 𝕡𝕠𝕣𝕥𝕒𝕟𝕥𝕠 𝕖𝕩𝕔𝕖𝕝ê𝕟𝕔𝕚𝕒 𝕟ã𝕠 é 𝕦𝕞 𝕒𝕥𝕠, 𝕞𝕒𝕤 𝕦𝕞 𝕙á𝕓𝕚𝕥𝕠. ” Will Durant https://open.substack.com/pub/professorgui...

O Manual de Aristóteles de Como Viver Bem

A ética é uma das principais disciplinas da filosofia. Em grego, ethos significa costume, e portanto ética é o estudo do costume. Em latim, a mesma ideia se traduz como mos (plural: mores), raiz da palavra moral. Trata-se da mesma ideia, expressa em dois idiomas diferentes, o que revela algo importante: para o mundo clássico, ética e moral não eram domínios separados como encaramos na modernidade. A distinção entre elas é uma descrição posterior que, às vezes, pode ser confusa.

Por este motivo, devemos voltar à sua origem e analisar: o que era a Ética em primeiro lugar?

O nome ética foi imortalizado pela Ética a Nicômaco, livro que Aristóteles dedicou a Nicômaco, seu filho, como um guia moral. Um pai que deixou ao filho como herança algo mais valioso que riqueza material: uma bússola para viver uma vida bem vivida.

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No afresco A Escola de Atenas, Aristóteles está no centro, segurando precisamente a Ética à Nicômaco.

Mas o que exatamente se estuda nessa disciplina?

A ética se ocupa dos hábitos humanos vividos em sociedade, investigando como eles podem formar ou deformam o espírito de cada pessoa. Will Durant sintetizou a visão aristotélica sobre os costumes da seguinte forma:

“Somos aquilo que repetidamente fazemos, portanto excelência não é um ato, mas um hábito”

—Will Durant, A História da Filosofia: As Vidas e Opiniões dos Maiores Filósofos do Mundo, (1926)

Os hábitos, portanto, podem nos guiar para dois destinos distintos: à maturidade e à excelência ou à degeneração. Quando os costumes de um homem são desordenados, definhando, assim, o seu espírito, nós os chamamos de vícios. Porém, quando são ordenados e engrandecem o homem em direção à vida plena, nós os chamamos de virtudes.

O homem dominado pelos vícios não é livre: é escravo de si mesmo.

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Ética de Platão através de um Jogo - Nau dos Loucos

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"Mito do Cocheiro" ou a Alegoria da Biga

Platão ilustra isso com a imagem de um cocheiro que conduz uma biga puxada por dois cavalos. Um representa as potências concupiscíveis, a tendência ao conforto e à busca dos prazeres imediatos. O outro representa as potências irascíveis, o desejo de grandeza, de glória, de combater. O desafio do homem é conduzir os dois com sabedoria, fortalecendo especialmente o cavalo que o impele para frente, em direção ao bem.

Por isso, chamamos a virtude de meio termo entre dois vícios: um de excesso e outro de deficiência.

Quando os costumes são desordenados, corrompem o espírito. O homem viciado é como uma criança mimada: histérica, incapaz de se controlar, fechada em si mesma e distante de qualquer grandeza.

Os gregos chamavam de idios a pessoa fechada em si mesma, voltada apenas para seu mundo particular. Daí vem nossa palavra “idiota”: uma descrição do homem que, sendo escravo de suas paixões, nunca consegue alcançar a vida plena.

Os bons hábitos conduzem o homem ao que Aristóteles chama de spoudaios: o homem maduro, excelente, capaz de viver plenamente. A formação ética é uma formação que demanda entrega, trabalho e amadurecimento contínuos.

Podemos dizer, então, que a verdadeira felicidade só pode ser alcançada a partir de uma vida virtuosa, por mais sacrificante que ela seja.

Existe um equívoco muito difundido: o de que liberdade significa fazer o que se quer, sem restrições. Para a filosofia clássica, essa ideia é precisamente a definição de escravidão. A verdadeira liberdade só existe na medida em que os homens vivem a moral, aprendendo a domar suas paixões e a buscar as virtudes. Quem age movido apenas pelos impulsos não é livre: é conduzido por forças que não controla.

A virtude é o ponto de equilíbrio em algo que direciona uma pessoa para o bem. A finalidade da ética é a busca, portanto, do bem último e transcendente.

No Mito da Caverna de Platão, há um sol que ilumina fora da caverna. Toda a finalidade humana é sair da caverna e caminhar em direção a esse sol. O mundo da ética é exatamente essa busca, a busca pelo bem. O problema não é que os homens não queiram o bem: eles sempre o buscam. O problema é que tendem a buscar bens menores e imediatos em detrimento dos bens superiores, afastando-se, sem perceber, do bem verdadeiro.

A filosofia medieval estabeleceu com clareza que o mal não possui realidade ontológica própria. O mal não é uma coisa que existe concretamente, mas a negação do bem, a sua ausência. Nega-se o bem invertendo a hierarquia adequada das coisas: não valorizando os bens como deveriam ser valorizados, não os usando da maneira correta. Tudo o que existe é bom em alguma medida; o mal é sempre um desvio, uma distorção da ordem.

É por isso que a ética busca a lei natural: o conjunto das regras que guiam as ações em direção ao bem transcendente, e que podem ser percebidas pela razão. Quem não tem fé, ou mesmo tendo, precisa empregar a razão para entender esse caminho. Quando os homens percebem, pela razão, a sua participação na lei eterna, aí está a lei natural. O que pauta o mundo das virtudes é precisamente a aderência a ela.

Na próxima semana, quero trazer quais são as principais virtudes e como manter a sua prática no dia a dia.

No Filosofia do Zero, dediquei um módulo completo ao estudo das obras de Aristóteles, para que, assim como Nicômaco, você possa ter acesso aos ensinamentos do Filósofo sobre como viver uma boa vida.

Clique no botão para conhecer a Comunidade Filosofia do Zero e ter acesso a mais conteúdos como esse.

[COMUNIDADE FILOSOFIA DO ZERO](https://filosofiadozero.com.br/a

Até semana que vem,

Guilherme Freire

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Will Durant sintetizou a visão aristotélica sobre os costumes da seguinte forma:\n\n\u003e “Somos aquilo que repetidamente fazemos, portanto excelência não é um ato, mas um hábito”\n\u003e \n\u003e —Will Durant, A História da Filosofia: As Vidas e Opiniões dos Maiores Filósofos do Mundo, (1926)\n\nOs hábitos, portanto, podem nos guiar para dois destinos distintos: à maturidade e à excelência ou à degeneração. Quando os costumes de um homem são desordenados, definhando, assim, o seu espírito, nós os chamamos de **vícios**. 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